Categoria Escola parte 2 - Fórmula Ford


Criada inicialmente na Inglaterra em 1967, como uma alternativa para escolas de pilotagem aos carros de Formula Junior e Formula 3, que tinha custo de fabricação e manutneção muito elevados, a Fórmula Ford obteve sucesso ao promover o talento de jovens pilotos com uma categoria de baixo custo. Entre as especificações do regulamento original da categoria, uma das principais era a limitação nos custos. Um veículo em condições de competir não poderia custar mais de £1.000. A fabricação de chassis era livre, o motor utilizado era de 1.600cc, original do Ford Cortina G.T, pneus de rua e era proibido os apêndices aerodinâmicos.

Primeiros anos da Fórmula Ford, na Inglaterra, com chassis de grandes fabricantes já presentes, como Lola e Lotus.

Logo nos primeiros anos, a categoria começou a revelar muitos talento que se mostraram grande campeões mais tarde. Um destes primeiros talentos foi um brasileiro ousado, que tomou coragem para desbravar a Europa, chamado Emerson Fittipaldi. Os primeiros contatos do brasileiro com a categoria foi através da escola de pilotagem de Jim Russell, umas das melhores até hoje. Mais tarde, Emerson se tornaria o primeiro piloto da Fórmula Ford a chegar, a vencar uma corrida e a ser campeão mundial de Fórmula 1.
As primeiras competições eram realizadas em formato de torneios, disputados principalmente no autódromo de Brands Hatch.
No Brasil, a Fórmula Ford foi introduzida com o Torneio BUA (BUA é a sigla de British United Airways, companhia aérea inglesa que patrocinou o evento), em 1970. Organizado por Antonio Carlos Scavone, no começo do ano, em 5 etapas disputada em 4 pistas pelo Brasil. A última etapa deste torneio marcou a reabertura do Autódromo de Interlagos, até então fechado para reformas. Os melhores pilotos brasileiros participaram desta competição, inclusive o então campeão da Fórmula 3 inglesa, Emerson Fittipaldi. A título de curiosidade, as corridas foram bem competitivas e Emerson não teve vida fácil para ganhar esse título. No final deste mesmo ano ele venceria sua primeira corrida na Fórmula 1. Portanto, podemos entender que o nível dos pilotos na categoria era bem alto.

Alinhamento de grid do Torneio Bua, que introduziu a Fórmula Ford no Brasil. Ao centro, o destaque para Emerson Fittipaldi, com chassis Lotus.
A partir do ano de 1971 foi criado o Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford, disputado até 1996, sendo algumas temporadas mais fortes, outras nem tanto.

Pilotos revelados: considerando o torneio BUA, grandes nomes do automobilismo nacional passaram pela Fórmula Ford, desde Emerson e Wilson Fittipaldi, Alex Dias Ribeiro, Chiquinho Lameirão, Luiz Pereira Bueno, até Gil de Ferran, Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi, sendo o último campeão Juliano Moro. Ayrton Senna também passou pela categoria, e com grande sucesso, porém não no Brasil. Após o kart, Senna foi competir na Inglaterra de Fórmula Ford 1600, passando ainda pela Fórmula Ford 2000, onde se destacou e fez toda sua carreira até a Fórmula 1.



Os carros: o grande destaque da categoria fez com que grandes fabricantes de chassis e veículos de competições desenvolvessem seus modelos de Fórmula Ford. Entre os mais famosos, estão os carros da Lotus, um dos primeiros modelos, e os Reynard, fabricante que desenvolveu os chassis com os melhores resultados na Formula Indy em seu tempo aureo.

Rubens Barrichello em seu Reynard de Fórmula Ford, um dos grandes expoentes revelados na categoria ainda no Brasil. 

Atualmente a categoria principal segue o regulamento da Fórmula 4, da FIA, utilizando chassis Mygale, na Inglaterra. Em outros países, como Austrália, Nova Zelândia, e EUA, ainda existem fabricantes locais que fazem os carros baseados em um regulamento próprio. Pela tradição da categoria no Reino Unido, existe ainda uma categoria de Clássicos da Fórmula Ford, disputado com carros de vários anos, divididos em categorias de acordo com sua performance.

Ayrton Senna na Fórmula Ford 2000
O apoio da marca: Apesar de sempre levar esse nome, a categoria não foi idealizada pela montadora americana. Quando no desenvolvimento da categoria, ainda em 1967, o motor do Ford Cortina GT mostrou-se o melhor custo/benefício para a categoria. Posteriormente foi oferecido o à marca que utiliza-se as competições como marketing para a empresa. No Brasil, a Fórmula Ford teve início com os motores do Ford Corcel. Quando da criação da Auto Latina, passaram a adotar os motores AP, compartilhados entre a VW e a Ford naquela época.

Curiosidade: O nome Fórmula Ford é uma marca tão importante no automobilismo que, nos EUA, a categoria adotou motores Honda em uma última modernização pela qual passou, porém ficou conhecida como Formula Ford Honda.

Fórmula Ford Honda, categoria disputada na América no Norte seguindo o conceito tradicional da categoria, porém com carros mais modernos.

Fontes:
http://www.classicformulaford.com/history/4581790219
http://www.terrywalkersplace.com/Articles/Formulaford.htm
http://formulafordbrasileira.blogspot.com.br
http://www.mygale-cars.com
http://www.brscc.co.uk

Asseka 2017 - 2ª etapa

Demorou, mas terminei a edição do on board da 2ª etapa do Campeonato Asseka de kart.
A corrida foi disputada sub muita chuva, uma pista escorregadia. O kart não respondia a frente, mesmo fora do traçado emborrachado, como é recomendado andar na chuva. Mesmo utilizando o banco o máximo para frente, para colocar mais peso no eixo dianteiro, não deu resultado. No final, um 12º lugar. Vamos pra próxima!


Karts em circuitos ovais

A cultura do automobilismo nos Estados Unidos da América é muito forte. Muitas modalidades surgiram por lá, como o Kart e a Formula Vee, como já falamos em artigos anteriores. O país tem muitos autódromos e uma população apaixonada pela velocidades, principalmente pela Nascar, e uma peculiaridade: preferem fazer curvas para a esquerda.
As corridas em circuitos ovais são uma cultura difundida sem igual no mundo e, apesar de parecer fácil, há muitos segredos para se dar bem nesse tipo de pista. Por isso, existem muitas categorias para o desenvolvimento de pilotos desde a base para corridas em ovais. Mas e o kart? Como é a base do automobilismo para corridas em ovais? Sua importância é a mesma que vemos na preparação de um piloto de Fórmula?
O conceito do kart como o conhecemos é ser um veículo ágil, com grande capacidade de frenagem e contorno de curva, mesmo que sua velocidade absoluta na pista não seja muito alta. Essas características nos dão uma sensação de velocidade muito grande.
Quando pensamos numa corrida em oval, o que pensamos é o oposto desse conceito, que são corridas para carros velozes, a grandes velocidades e que a capacidade de frenagem e contorno de curvas são sacrificados em nome da busca por velocidade absoluta.



Os Karts
O kart como conhecemos possuem medidas de chassis simétricas, tendo um pouco de assimetria no posicionamento do banco, ligeiramente deslocado para a esquerda, como forma de compensar o peso do motor, dessa forma, o desempenho é igual para os dois lados. Mas quando todas as curvas são para a esquerda, isso muda.

Kart para ovais, totalmente assimétrico, deslocando o piloto para o lado de dentro das curvas, Até os pneus são assimétricos.

Não, esse kart não bateu. Ele foi feito pra fazer curvas para a esquerda, e faz isso muito bem!
Como busca-se mais velocidade final, e essa velocidade é mantida por mais tempo, há uma preocupação maior com a aerodinâmica dos kart. Assim, o piloto fica mais deitado no kart e as carenagens são maiores.

Carenagem prioriza a aerodinâmica.

Nessas corridas em ciruitos ovais, geralmente utiliza-se motores de 4 tempos, sendo o mais popular o Briggs & Stratton.
Dos motores originalmente com 13 hps, os melhores preparadores conseguem extrair mais de 40hps, uma preparação que aumenta 2 vezes e meia a potência da máquina! Essa mesma potência também estão conseguindo com os motores Honda GX390, o mesmo que utilizamos aqui no Brasil na categoria F4.

A especialização
Apesar de parecer mais fácil, as corridas em circuitos ovais possuem características próprias. O domínio de um veículo que está sempre tentando virar para a esquerda, desacelerando o mínimo para contornar as curvas e acelerando o máis rápido e mais cedo, sem desequilibrar o veículo, reduzindo ao máximo a resistência ao rolamento nas retas para assim ter o máximo de velocidade. Ainda parece fácil!? Lembrando que tudo isso, dividindo milímetros de pista com outros pilotos muito experientes.
Essa experiência desde cedo é um grande diferencial na carreira de um piloto que pretende chegar à Nascar, por exemplo, onde as corridas em ovais são 95% das corridas da temporada.

Pilotos
Grandes nomes da Nascar, como Tony Stewart, Kurt Busch, Kyle Larson, Kevin Harvick, iniciaram suas carreiras no kart. Outros pilotos iniciaram mais tarde, com carros maiores, como os Late Models, mas o kart é sempre um diferencial. O kart atrai também muitos pilotos amadores, e pelo baixo custo comparado com as outras categorias, é muito comum o envolvimento de pilotos mais experientes e que não buscam seguir carreira para as grandes categorias do automobilismo.

Pistas
As pistas são variadas, tendo o formato de oval de 4 ou 3 curvas, asfaltadas ou de terra. O comprimento médio das pistas é entre 1/6 e 1/8 de milha (300 e 200 metros a volta), mas algumas corridas são realizadas em pistas de até 1/4 de milha (400 metros). Muitas vezes, os trechos de pistas ovais são aproveitados para a construção de kartódromos convencionais, criando um complexo de pistas.
No Brasil, a única pista de kart oval está localizada no Velopark, e conta inclusive com karts de locação. Com 300 metros de comprimento, a qualidade da pista é digna de uma das melhroes do país.

Adkins Raceway Park

Tenesse Raceway

Velopark

Fontes:
'https://www.worldkarting.com/tracks/
'http://www.velopark.com.br
'http://www.centraltexasspeedway.com/
'http://www.tripletraceway.com/
'http://www.ckra.org/
'http://galleries.nascar.com/gallery/567/darlington-throwback-see-nascar-drivers-(and-more)-as-kids#/0