sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tirando o máximo dos pneus

Aqui no Papo de Box falamos várias vezes sobre o uso da telemetria no kart. Hoje trazemos a você uma aplicação prática em que a telemtria foi utilizada para identifica as diferenças na pilotagem entre um kart com pneus novos no momento ideal e o mesmo kart, com o mesmo piloto, mas com os pneus mais usados.



Neste texto usamos como referência o artigo "Getting the Most Out of Your Tyres With the Help of Telemetry", publicado na revista virtual TKart, que você pode assinar com desconto de 50% sendo membro do Paddock do Kart Buzz.

A aderência de pneus novos é significativamente maior que pneus mais usados, mas essa aderência máxima não é obtida imediatamente. O ponto ideal do pneus varia com o composto do pneu, construção e marca, mas em geral ocorre na terceira ou quarta volta do pneu.

A maioria se programa no final de semana de corrida para conseguir esse momento ideal dos pneus durante o treino de classificação.

A primeira análise que podemos realizar com os dados de telemetria para é analisando o diagrama G-G, onde são plotados os dados de aceleração longitudinal e lateral.


Neste gráfico os pontos verdes são as medições da aceleração obtidas durante a volta na condição ideal dos pneus novos. Os pontos vermelhos foram obtidos durante uma volta com os pneus mais usados.

Repare que os pontos verdes estão em média mais distantes do centro do gráfico, principalmente em curvas, onde são obtidas as maiores forças do kart. Com pneus novos, a aceleração lateral chega a 3g, enquanto com os pneus usados esse valor é pouco superior a 2,5g, uma diferença de aproximadamente 17% de aceleração lateral, o que permite uma velocidade de contorno em curva maior.

Analisando o gráfico de velocidades nas voltas, esse ganho com os pneus novos fica ainda mais evidente. Repare que, principalmente nos pontos vales do gráfico (pontos de menor velocidade nas curvas) a velocidade do kart com pneu novo é maior, proporcionando um ganho de tempo.


A maior aderência com pneus novos também proporciona um maior controle do veículo. Observe que na região demarcada pelo circulo mais à esquerda, a frenagem com pneus novos ou usados ocorria igualmente até o momento que é uma mudança na curva vermelha (pneus usados).

Neste ponto ocorreu alguma mudança na frenagem, que pela proximidade com o ponto de menor velocidade, deve ter ocorrido na entrada da curva. Essa mudança é característica de uma travada de roda ou um alívio na frenagem, que pode ter ocorrido pela sensibildade do piloto para evitar o travamento. Esse tipo de diferença mostra que o piloto explorou ao máximo o desempenho dos pneus.

Na prática, você deve aplicar esse tipo de comparativo principalmente em seus treinos e como uma análise de performance da sua corrida. Se você tem algum equipamento de telemetria, sempre grave suas idas para a pista e realize anotações para lembrar o setup e as condições de pista. Compare os dados nos mesmos traçados e busque sempre as melhores passagens. Assim, você chegará no seu melhor desempenho e nos resultados.

Ainda não tem um equipamento de telemetria? Confira os produtos da loja do Papo de Box, clicando aqui.

Siga nossa página no Facebook e acompanhe o Podcast Kart Buzz.

Fonte
'https://www.tkart.it

domingo, 24 de dezembro de 2017

Voltando à vida



Você é um kartista apaixonado por este sensacional esporte, gostaria de investir pouco para s divertir nos treinos no final de semana? Ou então tem um chassi usadinho, que ficou muito tempo parado na garagem e quer trazer ele de volta a vida? Hoje vamos passar algumas dicas para restaurar um kart, com baixo custo e garantia de muita diversão!

DESMONTE TUDO!

A primeira ação é reservar um espaço e desmontar tudo! Confira se você tem todas as ferramentas, identifique os parafusos para facilitar a montagem e saber de onde eles foram retirados. É importante ter as peças antigas mesmo que planeje que elas segam substituídas, elas podem ser usadas como referência na hora de comprar novas.


Com o quadro desmontado e limpo, dê uma boa olhada em todas as soldas e nos tubos da estrutura, principalmente na região próxima ao banco e motor. Se houver alguma solda quebrada, ou trinca nos tubos, será necessário fazer uma solda para corrigir a quebra.

Chassis com soldas refeitas e principalmente com solda no meio de um tubo para correção de trincas podem não ter o mesmo desempenho de um chassi novo, o que não é legal para quem participa de competições profissionais, mas para diversão e treinos nos finais de semana, não faz muita diferença.

Após estes serviços, pode ser interessante mandar gabaritar o chassi. Uma maneira de avaliar se isso será necessário é com um nível de bolha (não é a ferramenta ideal, mas já é alguma coisa). Coloque uma das barrar transversais do chassi em nível plano. Em seguida, verifique se as demais partes transversais também ficaram no nível. Se ocorrerem grandes diferenças, então será necessário gabaritar o chassi.

INICIANDO A MONTAGEM

Hora do trabalho duro! Com o quadro pronto, lixe e pinte todo o chassi. Você pode usar tinta spray automotiva e o ideal é utilizar uma tinta do tipo PU, devido a sua resistência e facilidade para pintura.

Peças cromadas podem ser recuperadas apenas realizando uma limpeza com uma estopa e Thinner.

Inicie a montagem pelas peças que compõem as partes mais baixas do chassi, como barras traseiras, mancais de rolamento, mangas de eixo e em seguida vá para as peças mais altas, como os componentes de direção, tanque e gravata de carenagem.

Deixe o banco e o assoalho para a fase final, pois pelo seu tamanho atrapalham muito na montagem de partes mais delicadas.



Algumas peças não valem a pena serem reaproveitadas e recomendamos a substituição. Por mais incrível que pareça, muitas peças são facilmente encontradas em lojas online ou físicas, sendo que alguns chassis utilizam os mesmos componentes até hoje. Segue algumas dicas:

Rolamentos: trocar os rolamentos é um fundamental para ter um kart em excelente condição de funcionamento e confiável. Como os principais apoios do veículo possuem rolamentos para manter sua sustentação, se esse componente quebra na pista, pode causar um acidente sério.

Borrachas e plásticos: as peças fabricadas em borracha e plástico podem ressecar e perder suas propriedades elásticas, fundamentais funcionamento do kart. O tanque de combustível também é de plástico e pode quebrar com maior facilidade. Se o seu estiver assim, troque.

Freio: ter freios confiáveis são fundamentais para sua segurança. Desmonte e troque molas e peças de borracha.Troque também as pastilhas de freio, mas se o disco não estiver trincado ou muito gasto, pode utilizar o que já estava no kart. Ferrugem no disco vai sair com o uso.

Carburador: desmonte, limpe, troque o "reparo", limpe os componentes e monte novamente igual estava.

MOTOR

Chegamos à parte mais complicadas. O motor de um kart possui muitas peças delicadas, montagem complexa que exige bastante conhecimento de medidas e tolerâncias, além de componentes que podem sofrer bastante com o tempo, principalmente motores 2 tempos. Faça um orçamento com um mecânico especializado em motores de kart, troque as gaiolas, roletes e rolamentos. Se precisar de pistões e bielas, o custo na recuperação será maior, mas não será problema encontrar esses componentes.

O RESULTADO




Ter um kart no qual você dedicou horas de trabalho e dedicação trazem como resultado um veículos que você vai adorar guiar, que será apaixonado e orgulhoso, pois sabe o trabalho e dedicação aplicados no projeto para que ele desse certo!

Curta nossa página no Facebook!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Conhecendo sua armadura

A escolha de um macacão para andar de kart nem sempre é fácil, principalmente para aqueles que estão iniciando no esporte. O mercado disponibiliza diversos modelos e versões, alguns homologados pela CIK-FIA, outros para uso apenas em Rental Kart. Mas qual a diferença entre eles? O macacão para kart pode ser utilizado no automobilismo?



Segurança acima de tudo
Conforto e estética são as primeiras característisca que buscamos em um macacão, mas precisamos ter sempre em mente que sua principal função é manter a segurança e integridade do piloto em casos de acidentes.
As normas de homologação na exigem que o macacão de kart seja anti-chamas, visto que como no kart você não está preso ao veículo, o risco de queimaduras em caso incêndio é baixo. É muito mais importante que o macacão seja resistente a abrasão, para que em casos onde o piloto caia do veículo e deslize pelo asfalto o piloto não se machuque gravemente. Neste ponto, o macacão de kart é mais parecido com aquele utilizado no motociclismo.

O que é macacão nível 2?
A CIK-FIA possui 2 níveis de homologação. O macacão de nível 2 é homologado para competições tem mais camadas ou materiais mais espessos em sua confecção do que os modelo nível 1, aumentando assim o nível de proteção para o piloto. Além das caracterísitas de resistência, o macacão nível 2 geralmente possuem mais características: partes elásticas, peças de malha respirável e cortes diferenciados, no entanto, geralmente são 2 a 3 vezes o custo de um terno de nível 1.
Macacões nível 1 são homologados apenas para competições nacionais, enquanto o nível 2 pode ser utilizado em todas as competições oficiais da CIK-FIA.

Para obter a homologação nível 2, o equipamento é avaliado quanto a suas propriedades anti-rasgo e anti-abrasão. Este teste é realizado tanto nas camadas externas quanto internas do tecido e pelo menos uma delas precisa permanecer intacta para passar no teste, já que é suficiente para assegurar que o corpo e a pele do piloto estejam protegidas. Em geral as camada externa é mais resistente à abrasão.



O teste envolve o posicionamento de uma amostra de teste de tecido em um suporte circular e o posicionamento do conjunto de fita de lixa de 120 grãos, que gira em um equipamento próprio de testes que simula a rugosidade da pista. O suporte é solto de certa altura na fita, simulando assim o impacto do corpo na pista. Para obter aprovação nível 2, o tecido deve resistir ao teste por mais de 2,5 segundos. no caso de resistência por menos tempo, o macacão é classificado como nível 1.

As costuras do macacão precisam resistir uma carga de tração de 30 DecaNewtons para serem homologados, independente do nível do macacão.

Invista em segurança
Se você está começando no kart ou já tem experiência, tenha sempre atenção com sua segurança. Tenha um bom equipamento, dê preferência para produtos homologados e dentro do prazo de validade, são estes que vão fazer a diferença na hora que você mais precisa.

Siga nossa página no Facebook.

Fonte
'https://www.tkart.it/en/magazine/how-to/to-understand-if-the-suit-is-really-safe/#1
'http://www.cikfia.com/regulations/homologation.html
'http://www.cikfia.com/fileadmin/content/REGULATIONS/Homologations/Homologations%20Regulations/2018/Reglement_d_Homologation_2018.pdf
'http://www.racedaysafety.com/kart-race-suit-buying-guide.html
'http://marklange.typepad.com/blitzkrieg/2008/12/safety-first-why-we-wear-baggy-suits-bulky-ribvests-funny-looking-neckbraces.html

domingo, 26 de novembro de 2017

Na direção certa


Você já parou pra pensar como você segura o voltante? Parece algo bem intuitivo, mas se prestar atenção, você vai perceber que muitas vezes fazemos isso da maneira errada, aplicando mais força que o necessário.

As mãos possuem terminações nervosas que funcionam como sensores para nosso corpo na interação com a máquina. Através das mão podemos sentir a aderência dos pneus, vibrações e reações no veículo que nos permitem maior controle.

Apenas uma função

O volante do kart tem por função dar ao piloto o controle da direção do veículo. Esse controle é realizado com o giro deste componente, apenas com o giro! Não adianta nada puxar ou empurrar o volante, e acredite, muitas vezes fazemos isso sem perceber.

Aplicando forças desnecessárias no volante, acabamos cansando o braço, perdendo rendimento. Isso pode ser a diferença entre uma vitória e não chegar no pódio, principalmente em corridas de endurance.

Um bom banco, bem posicionado, é fundamental para tirar essa carga dos braços. Seu corpo deve estar bem apoiado no banco para que não seja necessário se segurar no volante, mantendo sempre a força nos braços necessária para controle do kart.

No vídeo abaixo podemos ver como é a tocada de Rubens Barrichello, guiando um kart das 500 Milhas de Kart KGV 2011, que naquele ano foi disputada no Kartódromo Beto Carreiro. Repare que as mãos ficam firmes no volante, mas aparentemente de maneira confortável. Os dedos indicadores fica ligeiramente voltado para cima, o que demonstra que o piloto não precisa fazer grande pressão no volante para ter aderência ao volante.


O mesmo podemos perceber na guiada do Stock Car. A precisão no volante é facilitada pela direção hidráulica, permitindo mais sensibilidade e controle pelo piloto.



Feedback

Como o volante está diretamente ligado ao controle de direção do veículo, é importante ter uma boa sensibilidade nas mão para sentir o feedback do volante. De acordo com o comportamento do kart, uma saída de frente ou de traseira, pode ser percebida no volante, que fica mais "leve" ou mais "pesado" de girar. As vibrações sentidas através do volante mostram se estamos próximos do limite de aderência do carro, ou se estamos no overdrive. Uma dica para melhorar essa sensibilidade é ter uma postura de mão confortável e que permita a circulação do sangue, o que mantem a boa sensibilidade dos nervos da mão.

Um bom grip é fundamental

Quando o volante não tem uma boa aderência, precisamos apertar mais forte o volante para conseguir girá-lo. Com isso, além do desgaste físico, perdemos também uma parte da sensibilidade no volante. Ter um bom volante e uma boa luva facilitam muito o controle do kart e permitem sentir cada movimento. Lavar as luvas com frequência ajudam a manter um bom grip, mas se sua luva estiver muito velha, então é hora trocá-la.

Essa precisão e sensibilidade proporcionada pelo volante são tão importantes que existem especialistas que fazem o molde dos volantes para os pilotos profissionais. Um dos mais conhecidos é Ed Dellis, também conhecido como The Steering Wheel Guy. Ele desenvolve volantes para os melhores pilotos mundo, tendo como um dos seu cases de sucesso o piloto brasileiro Emerson Fittipaldi. Veja um pouco de sua história neste vídeo.


Siga nossa página Facebook e acompanhe o melhor do automobilismo direto com quem está sempre nas pistas.

Fonte
'http://www.steeringwheelguy.com/
'https://startinggrid.org/2012/04/05/want-to-be-faster-start-by-loosening-your-grip/#more-6521

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Afogar

Você já viu algum piloto fazendo o mesmo que o esse cara está fazendo nessa foto e se perguntou: "pra que ele está tampando a entrada de ar?"


Ao tampar a entrada de ar, o piloto restringe a quantidade de ar que entra para a mistura no carburador, tornando a mistura mais rica (proporcionalmente mais combustível do que a mistura ideal).

Mas porque fazer isso se o kart estiver bem carburado?

Recentemente vi uma discussão sobre esse tema em um fórum internacional de kart e descobrir que há opiniões diferentes sobre o tema, em diferente partes do mundo. O motivo mais conhecido, é que afogando o kart na freada você joga mais combustível quando pisar de volta no acelerador, melhorando a retomada. Muitos pilotos afirmam perceber essa diferença na pista, outros acham que é um efeito placebo, e em nenhum caso temos um teste efetivo ou comparativo de voltas que mostrem resultados numéricos.

Quais outras consequências de afogar o kart?

Pelo funcionamento do motor 2 tempos, quando o piloto afoga o kart, além de aumentar a quantidade de combustível, você aumenta a quantidade de óleo passando pelo sistema, melhorando a lubrificação do motor, reduzindo os riscos de quebra do motor. Nesse caso, o momento correto para afogar o kart é enquanto ainda estiver acelerando, no final de reta. No vídeo abaixo, podemos ouvir a diferença que que faz no kart afogar no final da reta. A partido do 3º minuto do vídeo, após a largada, o piloto Clay Pigeon fica constantemente afogando o kart nos finais de reta, conservando o motor e deixando o barulho mais "macio". Essa estratégia era mais importante quando os motores eram refrigerados a ar, menos duráveis e difíceis de controlar a temperatura. Por se tratar de um kart pré 2000, não haviam limitadores de rotação nos kart padrão FIA, então esses motores de alta performance chegavam a 19.000rpm (isso mesmo, igual um F1), o que podemos ver também nesse vídeo, no Alfano do piloto.



Porém, como o motor não está no regime de mistura ideal, ele não sobe muito mais o giro quando afogado, perdendo potência, sendo o ideal manter sempre uma mistura equilibrada. Por isso, após perder algumas posições, o piloto para de afogar o kart no final de reta para melhor desempenho, porém o motor é forçado ao extremo.

Os motores modernos refrigerado a água possuem uma refrigeração muito melhor, o que torna menos necessário essa "afogada" visando conservar o motor, porém pode fazer diferença nas retomadas. Mas uma coisa é certa, era "estiloso" ver os pilotos afogando o kart, ainda mais com uma pilotagem agressiva como a dessa cara o vídeo abaixo:


Siga a página do Papo de Box no Facebook, também acompanhe o Podcast KartBuzz.

Fonte:
'https://forums.kartpulse.com/t/old-school-techniques-choking-and-line-pinching/1241/9
'http://www.imgrum.org/user/bravarbirelsudam/1940492680/1210421908519642677_1940492680